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Guy Van de Beuque

No tempo sem tempo da atualidade que insiste na volúpia de tudo preencher com imagens para que nada seja visto, é preciso criar espaço e tempo para determinar aquilo que tem o poder de acordar os sentimentos, revelar os valores mais humanos, criar uma ponte onde tudo separa.

Guy Van de Beuque

Guy Van de Beuque dirigiu e coordenou por 9 anos o Museu Casa do Pontal. Nasceu em 11 de março de 1951 na cidade do Rio de Janeiro e faleceu em 27 de janeiro de 2004, em Nova Delhi, na Índia. Matemático brilhante em sua juventude, aos 23 anos concluiu o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ. Em seguida, ingressou no doutorado do Courant Institute of Mathematical Sciences, um dos principais centros de pesquisa em matemática e em ciência da computação do mundo, na Universidade de Nova York. Em 1975, sem ter defendido sua tese, mas com aprovação brilhante em todas as matérias, abandona a matemática, convencido de que “já era tarde para realizar algo inovador e realmente criativo nesta disciplina”. Segue para a França, onde frequenta o mestrado no  Institut d'Economie et Developpement Social da Université de Paris, Sorbonne. De volta ao Brasil em 1977, ingressa na Escola de Teatro Martins Pena e no ano seguinte cursa também a Escola de Dança para atores criada por Klaus Vianna. Lecionou matemática, por muitos anos na UFRJ. A partir de 1979, dedica-se realização de documentários, tendo recebido em 10 anos de atividades premiações nos mais importantes festivais de cinema e vídeo do Brasil. Seus principais documentários são: ABC Montessoriano, premiado no Festival de Cinema JB (1969); Arquive-se, premiado no I Vídeo Rio e no Festival Fotótica (1982); Terra Queimada de Sangue, no Festival Internacional de Cinema e Televisão do Rio de Janeiro/FestRio (1987) e A ultima que morre (1986), troféu Sol de Prata de Melhor Vídeo Educativo no RiocineFestival. Como roteirista, ganhou o Prêmio Kodak, em 1987, com o roteiro do longa “Hans Staden no país dos tupinambás”.

Dotado de forte curiosidade intelectual e com uma formação científica e humanista rigorosa, transitou por várias unidades da UFRJ (História, Biologia, Comunicação). Após concluir um novo doutorado, desta vez em filosofia, transferiu-se definitivamente para o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/ IFCS/ UFRJ, passando a integrar seu corpo docente. Seu livro “A experiência do nada como princípio do mundo” foi publicado postumamente, pois se encontrava no prelo quando de seu falecimento.

Os múltiplos talentos de Guy convergiram para chamar a atenção sobre as muitas maneiras por meio das quais o Museu Casa do Pontal, seu acervo fantástico e sua temática poderiam ser amplamente usufruídos pela sociedade. E não só este museu. Guy participava de diversos fóruns, de caráter nacional, discutindo formas alternativas de financiamento e fomento dos museus e de outros empreendimentos ligados à discussão e à promoção da cultura brasileira.  Esforçou-se para demonstrar que a guarda, conservação e difusão da produção cultural poderiam ser mais efetivas se existissem mecanismos capazes de assegurar às iniciativas da sociedade civil organizada outras formas de sustentação alternativas aos modelos público/privado.

Por intermédio de seu empenho e determinação, foi possível criar uma estrutura que transformou a Casa do Pontal, criada por seu pai Jacques Van de Beuque, no Museu Casa do Pontal. De uma exposição visitável, o museu transformou-se em um verdadeiro centro de discussão e estudos com o desenvolvimento de ações sistemáticas e relevantes nas áreas de educação e difusão da arte popular brasileira. Em 2002, graças à sua dupla formação em ciências e artes, coordenou a criação e a implantação do portal da arte popular brasileira na internet, além do website do Museu Casa do Pontal, estabelecendo um espaço permanente de difusão qualificada da cultura e da arte popular brasileira.

Em homenagem a ele foi fundado, em 2008, um novo espaço expositivo no Museu Casa do Pontal, que recebeu o nome GVB Galeria de Arte. Trata-se de uma galeria voltada para a realização de exposições temporárias. Ela se destina à recepção de projetos que provoquem o pensamento sobre fronteiras e apropriações na arte. Um lugar para propostas que visem diálogos e confrontações com as artes estabelecidas, as vanguardas, as artes moderna e contemporânea, o pensamento e a crítica de arte, de forma a permitir que a criação artística seja pensada e vista por múltiplos ângulos, considerando suas diferenças e especificidades

Angela Mascelani