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Jacques Van de Beuque

Da França ao Brasil

Nascido em Bavay, no norte da França, em 1922, Jacques Van de Beuque cursou Belas Artes em Valenciennes e Lyon, dedicando-se aos estudos até o início da II Guerra Mundial, quando passou a militar com outros jovens a favor da resistência francesa. Em decorrência disso, foi preso diversas vezes, sendo enviado para os campos de trabalhos forçados em Kiel, na Alemanha, onde permaneceu por quase dois anos. Em 20 de abril de 1944, alguns meses antes do final da guerra, Jacques conseguiu fugir da prisão.

Quer deixar a França, quer deixar a Europa. Precisa da luz, da natureza e do calor humano para esquecer os terríveis anos da guerra. Em Paris, conhece o pintor brasileiro Cândido Portinari. Ficam amigos, conversam sobre seus respectivos sonhos. Ouvindo-o, Portinari lhe diz: – “Vá para o Brasil. O Rio de Janeiro é lindo, tem sol, tem cores e as pessoas são muito receptivas!”.Com essas poucas informações Jacques embarca para o Brasil. Sabe que aqui, na época, o mundo culto fala francês.Na França, o Brasil repercute como o país onde não há segregação racial.

 A imagem de país das misturas raciais chegara a Paris por diversas fontes, entre elas a literatura de Jorge Amado. Para quem experimentou as dores nascidas da intolerância à diferença, esse parece ser mesmo o melhor destino. Desde sua chegada, Van de Beuque apaixona-se pelos objetos feitos pelas pessoas simples do povo. Começa então a viajar e adquirir obras, visita vilas e povoados, entrevista artistas e deixa-se cativar por suas vidas. Desenvolve com alguns artistas longas amizades. Ao cabo de quarenta anos constitui o mais consistente acervo da arte popular produzida na última metade do século XX.

 Angela Mascelani